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domingo, 28 de agosto de 2011

Tô tirando férias, dando um tempo disso, chega de amar, chega de me doar, chega de me doer.

sábado, 6 de agosto de 2011

Cansei do combate


Normalmente, eu jogo a culpa na genética, no DNA. Não chega a ser indigno com meus entes nem uma desculpa esfarrapada. De fato, são assim. Os Bagio são pólvora. Os Speck são fogo. Sou fruto de uma combinação explosiva. E explodo. Quando me sinto injustiçada. Quando acho que alguém que gosto muito foi injustiçado. Quando não consigo ser compreendida. Diante da má vontade. Diante da arrogância - como se explodir também não tivesse algo de arrogante. A expressão "dou um boi para entrar numa briga e uma boiada para não sair" foi feita pra mim. Tenho certeza. Adoro falar "tenho certeza". E, pra falar a verdade, nunca saio mesmo de uma briga. Eu faço os outros saírem. Sou incansável na discussão. Tenho argumento pra tudo. Faço perguntas retóricas. Encosto na parede. Faço o outro cair em contradição, mesmo se estiver falando a verdade. Não abaixo a guarda. Não levo desaforo pra casa. Não tolero. Não volto atrás. Desenvolvi técnicas de linguagem corporal. Sustento o olhar do oponente e cresço. Eu que já tenho quase um metro e setenta, numa discussão, fico com dois. Tenho a língua afiada, ferina. E isso vem de criança. Tenho provas. Gravações em VHS nas quais eu respondo às provocações do meu pai sem pensar. Sempre uma tirada a tiracolo. Um talento inato para desferir a palavra precisa para nocautear o outro. Não qualquer pessoa, naturalmente. Também não sou um monstro que sai por aí distribuindo agressões verbais. Mas qualquer faísca já é o suficiente. Sou a pessoa mais doce do mundo. Mas qualquer tiro de chumbinho, já é motivo pra rajada de canhão. E, olha, vou contar para vocês. Sempre ostentei meu canhão com orgulho. Falar o que penso, na minha cabeça, sempre foi minha maior qualidade. É legal ser sincera. É legal fazer justiça com as próprias palavras. É legal defender suas convicções e suas pessoas. É legal ser admirada por quem não tem coragem de ser assim. É legal botar tudo pra fora e não guardar mágoas nem motivos para um câncer futuro. Com esses argumentos venho sustentando minha fama de má. Mas carregar essa fama - com canhão e tudo - pesa. Ter fama de má é mais pesado do que ser mau de verdade. Quem é mau não se importa. E eu me importo muito. Na minha consciência, as palavras que lanço voltam como bumerangues estilhaçando minha paz. A língua afiada é como uma droga. O alívio imediato não compensa a angústia que vem depois. Me sinto a dona do mundo quando sou capaz de enfrentar alguém que tenha me desagradado. Mas é o tempo de voltar pra casa, tirar a armadura de ferro e chorar debaixo do chuveiro, que é um jeito de chorar escondida até de mim. Não se sabe o que é gota, o que é lágrima. Tudo é quente e molhado. Gosto de dizer que sou uma casca grossa com a sensibilidade à flor da casca. Mas a casca está rachada, a fama de má está fake demais, o canhão anda pesando nas minhas costas, antevejo consequências desastrosas. E antes que elas aconteçam, estou colocando minhas armas no chão e erguendo os braços. Eu me rendo. Sério mesmo.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011


Enquanto a vida vai e vem,você procura achar alguém que um dia possa lhe dizer
“Quero ficar só com você”
Talvez eu não chore, mas dói.
Talvez eu não diga, mas eu sinto.
Talvez eu não mostre, mas me importo.

"Eu entendo você, mas não alivio. Está tão acostumada a mergulhar em seu sofrimento, que perdeu o lugar onde dói. Talvez o que doa esteja fora e você nem reparou."

(Fabrício Carpinejar)
Quem poderia ter adivinhado o gosto agridoce que isso teria?
Sometimes it lasts in love...
But sometimes it hurts instead.


O nosso virou dor.
''Dizem que tudo vai dar certo.
Mas eu só quero saber quando.''

Pra que fazer isso...

As vezes a gente acaba se comprometendo com algo e no final vê que nada e em nenhum minuto valeu a pena para a outra pessoa e você foi usada novamente e somente, esse teu coração mole um dia vai acabar contigo, tá doendo muito.

Eu pisaria em você como você fez em mim,
mas sabe, meu salto é bonito demais pra ser quebrado assim.

Eu não consigo, e nem posso, ficar longe de você.

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas,
Diz com que pernas eu devo seguir.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O amor pode durar


Acho tão bonito casais que duram. Não importa o tempo, o que vale é a intensidade. Querer estar junto vale muito mais do que estar junto há 20 e tantos anos só por comodidade. Sei que estou falando obviedades, mas hoje vi um casal de velhinhos na rua.

Me doeu de uma forma linda. Acho que o amor, quando é amor, tem lá suas dores bonitas. A gente vê uma cena e o coração fica emocionado. Nos dias de hoje, com tanta tecnologia, com tanta correria, com tanta falta de tempo, com tanto olho no próprio umbigo e nos próprios problemas, com tanta disputa pelo poder, pelo dinheiro, por ter mais e mais, sei lá, acho bonito ver um casal de velhinhos na rua.

A mão, enrugadinha, segura a outra mão. A outra mão, por sua vez, segura uma bengala. Falta equilíbrio, sobra experiência. Falta a juventudade, sobra história para contar. Falta uma pele lisa, sobram marcas de expressão que contam segredos. Envelhecer não é feio. Em tempos de botox, a gente devia olhar um pouco para dentro. De si. Do outro. Do amor.

As pessoas não têm paciência para relacionamentos. Se está ruim elas simplesmente trocam. Não tentam, não se empenham, não lutam para dar certo. Não acho que a gente tem que aceitar tudo que o outro nos dá. Não acho que temos que cruzar os braços para o que está errado. Mas o amor exige uma dose de sacrifício. O amor não é descartável. O amor não pode ser jogado fora. Não dá pra fazer uma lipo no amor. A gente tem é que lutar por ele. Diariamente.

Os casais antigos são mais pacientes com os erros e os defeitos do outro. Não acho que mulher tem que ser dona de casa e aceitar um par de chifres. Mas acho que a mulher tem que entender que o homem é diferente. E vice-versa. A mulher quando quer ajuda quer agora e não daqui a cinco minutos. Diferenças de gênio, diferenças de gênero. E que bom que elas existem. E que bom que existem casais com cabelos bem branquinhos e olhares meigos para nos lembrar que o amor pode durar, sim.
Don't forget me. I beg.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tema recorrente em tudo o que escrevo. Amor. Amar.
Amar não é só abraçar, dar carinho, agradar, beijar ou qualquer dessas coisas. Amar é querer o bem do outro. É querer que ele cresça, evolua, se torne uma pessoa melhor, mais madura. É ensinar a tirar as pedras do caminho e querer que ele vire gente de verdade. É ensinar a enfrentar os medos, os dragões, os monstros. Amar é querer bem, mesmo que pra isso seja preciso puxar a orelha da outra pessoa, mostrar pra ela que o que fez foi errado, que poderá ter maus retornos.
Eu te amo porque quero teu bem. Porque quero que evolua, que não se afunde. Porque quero que se torne uma pessoa melhor pra ti mesmo, não só pra mim. Amor é crescimento. Amor é coisa séria. Quem não sabe dar valor pra esse sentimento e nem reconhecê-lo, é porque nunca amou na vida.
Permita-se! Ame mais e melhor! Mude! Seja mais amor.

terça-feira, 26 de julho de 2011


"Ele tira raios-x, mas eu nunca deixei ele tirar um de mim, porque se ele olhasse dentro de mim, ele poderia ver coisas que ele não entenderia e se machucaria."

''Eles se amam, todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossível. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha.
Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada.
Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas.
Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz.
Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer.
E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso.''

sexta-feira, 22 de julho de 2011


"Eu não sou boa nem quero sê-lo, contento-me em desprezar quase todos, odiar alguns, estimar raros e amar um."

(Florbela Espanca)
"Sou uma céptica que crê em tudo,
uma desiludida cheia de ilusões,
uma revoltada que aceita, sorridente,
todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura."

(Florbela Espanca)

"Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só..."

(Florbela Espanca)

quinta-feira, 21 de julho de 2011


"Acorde, garota! Você é linda, inteligente, tem um ótimo perfume e seus olhos brilham mais que um punhado de purpurina. Por que chora? Perdeu em alguma esquina seu encanto?! Ninguém pode tirar de você seu mais belo sorriso, motivo de idas e vindas saltitantes. Coloque sua música favorita para tocar, respire fundo e faça o que de melhor sabe fazer: ser você."
Como diria meu mago Caio Fernando Abreu: "sei lá menina, tá tudo tão legal, e um legal tão batalhado, um legal merecido, de costas e pernas doendo, mas coração tranquilo". Não tenho vivido experiências fantásticas, situações marcantes, aventuras inusitadas, e mesmo assim tenho me sentido assim, calma, plena, tranquila, simplesmente feliz comigo. Felicidade não é algo constante, é o tipo de coisa que chega, te arrebata, te faz sorrir feito besta e depois passa. Relaxe, é assim mesmo! Não espere que os momentos felizes sejam constantes, que durem dias, semanas, meses, que sejam eternos. O ciclo não funciona assim. A felicidade chega pra bagunçar aquele seu momento "forever alone", aparece pra mostrar que a vida é boa, que desistir não é permitido. Não se deixe abater pela tristeza, ela é normal, sabia? Ela é sua companheira boa parte da vida, a bendita felicidade é que é rara e merece ser festejada a cada chegada.

"Quando a gente gosta, a gente começa emprestando um livro, depois um casaco, um guarda-chuva, até que somos mais emprestados do que devolvidos. Gostar é não devolver, é se endividar de lembranças."

Sins e nãos


A gente tem que acreditar. Ninguém precisa saber no que você acredita, mas você precisa ter fé em alguma coisa. Conheço muitos que não acreditam em Deus, mas acreditam em si mesmos. Tem um montão de gente por aí que acredita em ETs e discos voadores. Bitolados? Não sei. Eu particularmente nunca vi um disco voador e não pretendo ver um ET. Mas respeito quem acredita.

Tem gente que acende incenso, vai em templo budista, faz jejum em datas especiais. Tem gente que promete não comer carne vermelha e não beber. Tem gente que diz que vai parar de fumar. Acho que a crença é importante para a nossa sobrevivência. Deve ser difícil e vazio não acreditar em nada.

Eu acredito que é importante a gente aprender a dizer não. Toda a minha vida eu disse sim. Sim, eu faço. Sim, eu cuido. Sim, eu assumo. Sim, eu me rendo. Sim, eu aceito essa pizza. Sim, eu levo. Sim, eu busco. E isso só me fez mal. Já fui usada, já fui negada, já fui rejeitada, já fui humilhada. Já fui um pouco de tudo.

Ninguém tem o direito de invadir a nossa vida. Apontar o dedo na nossa cara. Dizer o que devemos fazer. Pedir coisas, exigir outras tantas. Ninguém pode nos dominar, nos possuir, nos esgotar. É injusto. Mas a justiça, ou melhor, o senso de justiça, o quero-ou-não-quero quem define somos nós.

Eu aceito que você faça isso, eu não aceito que você faça aquilo. Crianças, por exemplo. Tem muita criança que faz birra, se joga no chão. Acho um absurdo criança que dá um tapa na cara do pai ou da mãe. Acho um absurdo maior o pai ou a mãe que aceitam esse comportamento. Não gosto. Tudo tem limite. Até o amor.

O amor vai até onde a gente aguenta. Até onde o nosso sim resiste e permite. Hoje eu não aceito muitas coisas. Digo não no trabalho, digo não na família, digo não na amizade, digo não no amor. E não sou mais ou menos legal por isso. E não amo mais ou menos por isso. A gente tem que estar bem certo daquilo que quer ou não quer. Do que faz bem ou não faz. Antes, eu preferia ver o outro bem do que ficar bem. Agora eu quero pensar nas coisas que realmente me fazem bem.

Hoje eu quero estar rodeada de sins. Mesmo que pra isso eu precise dizer muitos nãos.


"Oh Deus, como estou sendo feliz.
O que estraga a felicidade é o medo."

(Clarice Lispector em: Água Viva)

''Só uma coisa era fundamental (e dificílima): acreditar.''

(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 20 de julho de 2011





É no olhar, sobretudo, que a amizade se confirma. É no jeito de olhar que nos reconhecemos no primeiro momento, nós, amigos recentes de longas datas. Isso porque amigo tem esse olhar bom: ele nos olha como se realmente quisesse nos ver, sem nenhum outro interesse que não seja a oportunidade boa e rara de partilhar amizade. Ele nos vê e permanece ao nosso lado, esse conforto que palavra alguma é capaz de traduzir. Esse detalhe grandioso que faz toda a mágica acontecer, porque amar é também a arte de cuidar com os olhos.

Dia do amigo! Amo vocês!

"Quantas esquinas eu ainda vou precisar dobrar até você estar lá?"

(Gabito Nunes)
A brisa da tarde me trouxe o seu cheiro e seu gosto. Fiquei a procurar por você pelos cantos, pela casa inteira e foi quando eu percebi que foi só uma brisa leve que me fez lembrar do seu cheiro no meu corpo, do seu gosto na minha boca. Por um instante parei e revivi você aqui comigo, quis seu cheiro, seu sabor, sua pele, seu corpo todo no aconchego dos meus braços. Fiquei feliz e cheia de saudades...

PS: Será que quando te senti tão real comigo, quando aquela brisa me veio no meio da tarde, você estava lembrando de mim?

terça-feira, 19 de julho de 2011


"Seja a mudança que você deseja ver no mundo."

(Gandhi)

Dizem que a inveja é uma merda (e é)


Para mim, um dos piores sentimentos que existem é a inveja. Não que eu nunca tenha sentido - ou não sinta. É claro que sinto, sou mulher, sou gente. Queria ter cabelo de comercial de shampoo, apesar de saber que é tudo mentira e que as atrizes/modelos fazem escova e usam diversos produtos para dar um up no visual (evidente que nenhum deles é o anunciado). Também queria jogar uns quilos no ralo. E ter uma bunda dura como a das panicats.


Acho que o Eike Batista podia ser meu padrinho (não ia ser ótimo ter um jatinho a disposição só pra jantar no Fasano e depois voltar para a minha cama quentinha?). Queria escrever lindamente como a Eliane Brum e ser famosa como o Pedro Bial. Queria a inteligência do Machado de Assis e a delicadeza e profundidade do Caio Fernando Abreu. Queria a maturidade, sabedoria e calma de um monge budista. E o pique de um atleta (desde que não seja o Ronaldo).


Querer, eu queria. Mas minha vida não é assim: meu cabelo tem vontade própria, todo dia acorda diferente e em dias de chuva ele fica meio elétrico. Às vezes preciso adotar o lema dietas já. Minha bunda vai demorar a ficar dura como a de alguma panicat. Não tenho jatinho nem de plástico. Escrevo do meu jeito, meio certo, meio errado, meio meu. Não sou famosa. Minha inteligência às vezes faz greve. Minha delicadeza e profundidade muitas vezes fazem feriadão. Maturidade, sabedoria e calma só aparecem depois de alguns berros, suspiros e banhos gelados. Além de tudo, estou longe de ser atleta. É certo que faço caminhada, do quarto a geladeira, mas faço.

Sou quase normal, semi legal. Mas nunca desejei o mal. Não consigo odiar. Mesmo. E olha que já tive motivos para odiar algumas pessoas. Não odeio. Sinto raiva, sim. Então eu grito, brigo, xingo (a pessoa ou o vento). Depois passa. Depois vira poeira, vira nada. Tem coisa que sacode a gente que nem vento forte. Depois vai embora e deixa uma leve bagunça. A gente ajeita e fica tudo bem.


A inveja que sinto não é do mal. Não desejo o que o outro tem, não piso, não passo por cima de ninguém. Posso ter quinhentos e trinta defeitos, mas nunca na minha vida passei por cima de alguém para me dar bem. Acho isso coisa de gente sem caráter. E caráter é uma coisa importante, aprendi isso desde pequena.


Acho que quando a gente nasce já tem aquela coisa do bem ou do mal. Por mais que você cresça e aprenda aquilo sempre vai ser mais forte, vai gritar dentro de você. E o que grita dentro de mim é uma coisa boa. Não tenho vocação para ser santa, mas procuro ficar em paz comigo e com os outros. Não tenho nenhum inimigo (pelo menos que eu saiba), mas sei que nem todo mundo é meu amigo. Porque amigo que é amigo não sente inveja das coisas boas que acontecem na nossa vida.

As cartas de amor


Dizem que quem fica apaixonado se transforma. Pisa nas nuvens, borboletinhas invadem o estômago, o coração fica com um sorriso de orelha a orelha, o mundo se torna um lugar mais bonito e todas as músicas parecem fazer algum sentido. Eu concordo.

Esses dias reli o rascunho de uma carta que mandei. Era uma carta extensa, que falava dos meus desejos e medos. É tão bom quando a gente se livra de qualquer tipo de armadura e resolve escutar somente o coração. A gente nasce livre, sem qualquer escudo e aos poucos, depois das cacetadas da vida, vamos ficando duros. Isso me entristece um pouco. Sei que faz parte, mas não deixo de ficar triste.

Percebo que as pessoas estão cada vez mais medrosas. Guardam o que sentem. Se escondem atrás de palavras, atitudes e sentimentos. Mostram uma outra pessoa, uma verdade inventada, uma pessoa inexistente. Pra quê? O objetivo não é ter relações verdadeiras? O grande barato da vida não é ter alguém pra dividir cada coisinha boa e chata?

Tolos, mostram uma coisa que não são e acabam perdendo muito por isso. Porque a gente não deve ter a menor vergonha de ser quem é. E nem ter medo de mostrar nossos sentimentos mais bonitos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Uma mulher quer que todas as aspirações, alegrias, fotos, cd's, papéis, sonhos, planos e traumas caibam dentro da vida. E que a bunda entre facinho no jeans. Mas acima de tudo, quer amor.

Um amor lindo e louco, um creminho importado com cheiro bom, champagne bem gelado, amigas do peito, um trabalho que satisfaça e faça valer a pena acordar cedo todo dia de manhã e, pra fechar em grande estilo, um closet cheinho de sapatos.

Mas se for o amor da vida, pode ser feio e quase normal. O creminho pode ser das Americanas mesmo. A gente bebe um espumante bem simplinho que faça as bolhas darem aquele barato na língua. Dá de ombros para a eventual inveja das amigas. Engole sapos obesos no trabalho. E se contenta com uma bota preta, uma sapatilha que combine com tudo, um par de havaianas e um all star.

Porque não tem jeito: o que nos move é o amor.

"Te amando devagar e urgentemente."

(Chico Buarque)

Das sutilezas


Foi quando ficamos mais tempo em silêncio e continuamos a conversar, felizes, aquele conforto todo para a alma sem necessidade de palavra, que eu entendi com mais nitidez a beleza do que existia entre nós.

Recomeço

Não é preciso agendar, entrar em fila, contar com a sorte, acordar cedo para pegar senha: a possibilidade de recomeço está disponível o tempo todo, na maior parte dos casos. Não tem mistério, ela vem embrulhada com o papel bonito de cada instante novo, essa página em branco que olha pra gente sem ter a mínima ideia do que escolheremos escrever nas suas linhas.

O que é preciso mesmo é ter coragem para abrir o presente.

sábado, 16 de julho de 2011


Na arrumação dos armários, encontro minha covardia.

A que tamanho chega a ferida?
O corte que você fez e não voltou para soprar.
A que tamanho chega o rasgo deixado sem curativo?
Aberto.
Abandonado.
Quanto ainda cresce um buraco que já foi milimétrico?
Um pequeno traço.
A que tamanho chega uma ferida regada todos os dias?
Cultivada por alguém como se fosse flor...
Autoria do publicitário Lucão.
Autoria do publicitário Lucão.
Autoria do publicitário Lucão.

Amar-se

Quando você decide se colocar no centro da sua própria vida, das suas vontades, criações, paixões ou seja lá o que for, então nada mais vai te decepcionar com tanta força. O bom de ser o centro de si mesmo é que se você fizer algo errado ninguém vai poder te culpar, porque o erro foi só seu e pra si. A gente demora um pouco até entender a diferença entre amor-próprio e egoísmo. Saber-se dono de si não é ser egoísta, é ter consciência de que certas coisas que fizer só irão prejudicar a si mesmo. Não sou egoísta quando o assunto é amizade, porque não há competição. É um jogo limpo, onde todos sempre vencem. Entretanto, quando o assunto é coração, amores, paixões, tive que levar muitas na cara pra entender que se não houver o tal do amor-próprio e o tal de "colocar-se em primeiro lugar" nunca haverão vencedores. O empate terá sempre saldo negativo. Carinho não se implora e nem se agradece. Carinho é coisa pra receber e transmitir. Mais uma vez, depois de uma longa noite de sono, a resposta me veio à mente como uma fonte de água límpida. Não há segredos, só há amor -próprio. E quem sabe se um dia eu não vá mudar de ideia, não é mesmo? Tudo é um ciclo e agora é a minha vez de curtir a paisagem de cima da roda-gigante.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Só quero ser feliz. Não me rotulem. Nem a mim e nem ao meu coração. Não digam que algo é isso ou aquilo. Que algo vai ou que fica ou que foge. Não digam nada. Me deixem ser feliz sem dar nome pra felicidade. Me façam o favor de respeitar o meu sentido sem nome. Me deixem respirar. Escolher. Ir. Não ir. Me deixem. Não roubem meus sentidos. Não roubem a minha liberdade. Me deixem criar o que eu quiser dentro ou fora de mim. Me deixem sorrir. Me deixem chorar. Gargalhar. Suspirar. Me deixem ser. Me deixem fazer. Me permitam ser o que eu quiser ser. Me deixem ir pra onde eu quiser ir. Se for pra dentro, me deixem vir. Me soltem. Me deixem livre pra fazer o que for. Pra fazer nada. Me deixem ser Gabriela, Maria, Dolores. Me deixem ser aquilo que for pra ser. Me deixem cantar. Ler. Escrever. Me deixem andar sem nome pra nada. Me deixem seguir o caminho que for. Eu estou livre de mim. Eu estou comigo. Eu fico assim. Fico feliz e não. Fico ansiosa. Me deixem duvidar. Me deixem voar. Me deixem ser quem for.

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Por estar perdida

Caminhei sem rumo. Deixei o vento me segurar a mão e fui, pra lugar nenhum. Não ouvi som nenhum. Talvez tenha saído pra te encontrar. Talvez pra não mais te ver. Fiquei sem um pedaço de chão ou sem nenhuma seta me apontando pra onde ir. Imaginei mil coisas. Vi olhares superficiais e pessoas com máscaras. Que pena, quem usa esse tipo de máscara não consegue ao menos ser livre por si mesmo. Fica se prendendo em superficialidades, se escondendo atrás de risadas, de falta de abraços. Não consigo usar máscaras. Sou inteira quase o tempo todo. Quando sinto assumo. Quando me dói, me dói em tudo. Fico dolorida até no olhar. Me distraio pra não pensar que ando perdida, mas acabo saindo sem encontrar o rumo. Onde será que está você? Em que será que está pensando? Será que tem parado pra pensar ou ainda foge do que pode ter solução? Não sei o que eu sinto exatamente. Ou sei, mas não digo. Mas hoje, exatamente nesse dia tão lindo de sol e silêncio, vou tentar. Tentar sei lá o que, mas quando se está vivo é que se deve fazer. Tentar. E é assim, talvez eu volte a caminhar ou não. Eu não quero mais falar nada. Agora eu preciso ouvir. As coisas estão muito desconexas. Não sei mais nem onde eu estou e porque eu estou. Mas eu garanto, nada é tão grave quanto parece. E nem tão simples quanto eu faço parecer.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

"No fundo, mesmo lendo tanto, pensando tanto e filosofando tanto, a gente gosta mesmo é de quem é simples e feliz. A gente não se apaixona por quem vive reclamando e amassando jornais contra a parede. A gente se apaixona por esses tipinhos banais que vivem rindo. E a gente se pergunta: que é que ele tem que brilha tanto? Que é que ele tem que quando chega ofusca todo o resto?"

(Tati Bernardi)

Você tinha meu coração nas mãos
E você brincou com ele no ritmo da batida.

Doce deleite


Eu sou o leite e você me pôs no fogo. Me aqueceu sem que eu pedisse. Me tirou do conforto da minha Tetra Pak. Me deixou em fogo baixo. Parecia não ter pressa. E não tinha mesmo. Seu prazer estava em ficar ali, vigilante, a me observar. Mas mesmo quando aquecido em fogo baixo, uma hora o leite atinge a fervura. É a lei natural da química. Ou seria da física? Não entendo nada disso. E também não entendo nada de você. Como compreender que depois de tanta vigilância você iria se dispersar justo quando fervi? E agora? Quem vai pagar o preço pelo leite derramado?


Sua única chance seria aceitar dividir essa conta comigo. Eu estou te dando essa chance. Uma chance e uma dica: cuidado para não perder o ponto. A linha entre o doce de leite e o leite azedo é tênue. E se eu azedar, alguém vai ter uma indigestão das brabas.


Oi, tudo bem.


Oi, tudo bem, só vim dizer que o tempo é ótimo, ele une, faz com que a gente tenha intimidade e cumplicidade. Mas o tempo também faz a gente aprender certas coisas sobre o outro. E também nos mostra umas certas verdades, entende?

Oi, tudo bem, eu só queria te falar que alguns comportamentos me assustam. Outros me ferem. E não acho legal a gente ferir de propósito quem ama. Acho feio, acho chato, acho ruim. Você não tem motivo para me deixar preocupada ou incomodada. Você não tem motivo para descontar em mim coisas que não vão bem.

Oi, tudo bem, só queria deixar claro que nem sempre faço o certo. Às vezes tento fazer o melhor para você e muitas vezes as coisas dão errado, porque eu sou meio errada. Mas tudo bem, você também é e acho que todo mundo erra sempre ou pouco ou muito, mas a quantidade de erros nem importa, o que importa é o que a gente carrega dentro, é a vontade que tem de fazer o certo, por mais errado que dê, que seja.

Oi, tudo bem, só queria falar que o amor é a coisa que mais importa. Mesmo que às vezes seja rotina, que seja normal, que seja comum, que não tenha fogos de artifício, que não tenha champagne e chocolates e diamantes e ouro.

Oi, tudo bem, só quero que você não me coloque no mesmo saco. Se a sua mãe está incomodando, se o trabalho está chato, se a sua vida está cansativa, se você está com um fungo no pé, se a sorte não anda batendo na sua porta, desculpa, mas não me culpe. Eu posso e devo te ajudar. E faço isso com toda a paciência, com todo amor, com toda dedicação. Mas não comece a catar coisas erradas, a procurar falhas, defeitos, coisas que incomodam. Não faça isso de novo. Porque tem coisas que magoam.

Oi, tudo bem. Não está nada bem. E você devia pensar antes de ensaiar coisas assim novamente. E você deveria me conhecer o suficiente para saber o quanto essas coisas vão destruindo outras. Mas tudo bem. Tudo sempre fica bem.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Para sempre?!


“E eles foram felizes para sempre”. É assim que as histórias bonitas terminam (ou começam?). Não basta estar junto, não adianta viver o hoje, um dia de cada vez não é o suficiente. A gente quer que dure para sempre. Tem que durar, senão não tem graça. Tem que durar, senão a gente fracassou. Tem que durar, senão não valeu a pena.

Sou mulher, acredito em final feliz. Desculpa, eu acredito. Mas quer saber? Não quero viver no sonho, quero um amor real, não um amor de cinema. Porque no cinema tudo é retocado. É a vida real que mostra você e ele acordando com o cabelo bagunçado, bafo matinal, baba no travesseiro, rímel borrado, humor revirado, contas empilhadas, lençol amassado, roupas espalhadas num canto qualquer.

Amar é aceitar a parte fora do lugar do outro. O lado obscuro, sujo, quase cruel. Porque ninguém é santo, puro e limpo o tempo inteiro. Nunca quis que as coisas fossem perfeitas, pois o que é perfeito não tem cheiro de real.

A gente vive buscando garantias. Queremos que dê certo, queremos fazer dar certo, lutamos para colocar tudo nos trilhos, nos eixos. Mas a vida segue seu ritmo. Os sentimentos têm seus próprios passos de dança. E de vez em quando somos obrigadas a ensaiar um novo passo.

Nem sempre dura. Nem sempre é eterno. Nem sempre é como um sonho bom. E precisamos lidar com isso. Nem que seja na marra. Nem que tenha que engolir o choro e de vez em quando forçar um ou outro sorriso. Nem que a gente tenha que fingir que está tudo bem.

Eu gostava muito de você. Era tão bonito, era tão intenso. Acreditava no pra sempre. Imaginei uma casa, uma família, uma coisa só nossa. Um esconderijo, um refúgio, um paraíso. Cada vez que eu pensava em você me dava um calorzinho no peito. Cada vez que abraçava você o mundo parava de rodar por um segundo. E eu achava que aquilo era amor, achava que aquilo era o certo, achava que a gente era certo um na vida do outro. Mas não foi. Não fui. Não fomos. Não somos.

Você foi para um lado. Eu para o outro. Não chegamos nem perto do sempre. Mas teve graça e valeu muito a pena. Valeu, sim. Não fracassamos, claro que não. Deu certo até onde tinha que dar. Foi eterno até o dia que deixou de ser. Não ficou nenhuma mágoa, nenhuma vontade, nenhuma saudade.

O que importa é a forma como a gente viveu e vive um sentimento. Não importa que nome ele tenha. Não importa se é um amor, um estar apaixonado, um gostar. O que importa é querer que aconteça. O que importa é querer que seja bom. Não importa se vai durar um dia ou uma vida inteira.

(Todo mundo quer que seja pra sempre, mas se não for o futuro vai dizer. Se não for o amanhã nos manda um recado. Mas pra saber só vivendo e se entregando como se ele, o famoso amanhã, não existisse.)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Solidão necessária, exibicionismo e outras coisas


Uma das melhores coisas do mundo é ficar sozinho. Você, no seu canto, ouvindo suas músicas preferidas no volume que quiser. Você, com a casa arrumada ou bagunçada. Você, com uma roupa linda ou vestida de mendiga. Você, de salto alto ou pé no chão. Tanto faz, o importante é estar com você.


Tem gente que precisa estar sempre colada em alguém. Pode ser marido, pode ser amigo, pode ser irmão. Tem gente que quando está só precisa desesperadamente ligar para alguma pessoa. Outros já arquitetam o que vão fazer depois.


A gente pode e deve viver momentos incríveis com a gente mesmo. Ler um livro, assistir filmes melosos, depilar a perna, pedir comida chinesa e comer em cima da cama, ouvir música, arrumar as gavetas, tomar uma garrafa inteirinha de vinho, organizar os documentos, fazer meditação, tirar ponta dupla do cabelo, fazer a unha, passar máscara de pepino, tomar banho de espuma, cantar bem alto, passar o dia deitada pensando em nada, estudar, tocar violão, pintar, trocar a decoração da casa inteirinha. Tem coisa melhor?


Hoje em dia percebo que as pessoas não gostam muito de viver sem alguém. Desesperadas, não conseguem ficar com o próprio umbigo. Com os próprios fantasmas. Com as próprias neuras. Atualmente, nem com o outro você consegue ficar. Quer ver? Você sai com o namorado para jantar, vocês sentam lado a lado e dali a 5 minutos ele está no iPhone dele e você no seu. Você sai com uma amiga para um happy hour e dali a 4 minutos você está postando alguma foto do encontrinho feliz no seu Facebook. Você sai com 2 amigas para bater um papo e dali a 6 minutos estão ligando para outras amigas para convidá-las para o festerê. Ninguém se basta. Ninguém é suficiente. É preciso sempre mais, mais, mais.


As pessoas andam com fome. De afeto. Insaciáveis, querem tudo e todos. Exibicionistas, querem mostrar sua felicidade. Olha como nosso encontro é feliz, olha como tenho amigos, olha como a gente se diverte horrores, olha, olha, olha. No mundo de Twitter e Facebook, as pessoas precisam mostrar. Não basta você viver o momento, você precisa mostrar para todo mundo. Você viaja para a Indonésia e não solta o iPhone, precisa tuitar o tempo todo. Seu marido lhe dá flores e não basta você mandar uma mensagem no celular dele, ligar ou escrever um bilhete, precisa colocar bem grande nas redes sociais lindo-te-amo-você-é-tudo-obrigada-pelas-flores-obrigada-pelo-amor-obrigada-pelo-ar-que-eu-respiro.


Adoro fotos, mas quando viajo me contenho, é claro que registro, mas é ínfimo se comparado ao que vemos por aí. Estou ali para ver, sentir, aproveitar os momentos. Eles são importantes, sim. Mas muito mais importante que uma foto é viver o momento com toda a intensidade que ele merece.

quinta-feira, 7 de julho de 2011


"Trago esse sorriso por desobediência.
Desobedeço a tristeza."

[Vanessa Leonardi]

Vem sentar-te comigo (...) à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(...)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa...

quarta-feira, 6 de julho de 2011


"A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim..."

(Los Hermanos)

"Tudo passa... Chuva passa... Tempestade passa
Até furacão passa...
Difícil é saber o que sobra..."

(Millôr Fernandes)


"Tenho que encontrar um modo de ir em frente com o meu dia, com a minha vida..."

(Lídia Martins)

terça-feira, 5 de julho de 2011


Você sabe como eu sou despreocupada, (...)
e me permito todas as divagações,
as fantasias, obsessões, perseguições.
Todos os dias você sabe que eu me viro de inventos,
que eu me reparto e dou crias
que eu mal me resolvo e me aguento...
Carrego pedras no bolso e enfrento.