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quinta-feira, 30 de junho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Soneto de carnaval
Vinicius de Moraes, para relembrar as aulas de estética. Ô delícia!
Entre instantes, poemas e pensamentos dizia professor Guto assim em sala de aula...
Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.
Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.
E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim
De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.
A arte de poder escolher

Sou ariana. Primeiro signo astrológico do zodíaco. Signo do carneiro, do fogo, da impulsividade, do entusiasmo. Representa o heroísmo, a aventura e a coragem que você precisa ter para abastecer o seu carro e dar a largada para a vitória com total equilíbrio.
Eu disse equilíbrio? É, disse. Eu não tenho coisa nenhuma de equilibrada, de tranquila, muito pelo contrário. Por vezes eu endoideço legal, surto mesmo, caio fora do eixo, saio da pista da sensatez. Acontece nas melhores famílias (será?). Falo coisas e me arrependo, faço coisas e penso gente-eu-fiz-mesmo-isso, mas prefiro agir com meu coração, instinto, sentimento, emoção, dê o nome que apetecer, prefiro agir com a cabeça quente e no calor do momento do que ser uma pessoa morna, quase fria ou gelada. Gente que não tem sangue nas veias me assombra.
Eu, ariana lunática, tendo a passar do pensamento à ação de forma imediata. Entrego-me as aventuras e aos impulsos. “Se é para ser que o seja já”.
Meto muito os pés pelas mãos. Sou temperamental, por isso resolvi fazer análise uma vez por semana e botar para fora tudo que pesa dentro e fora de mim, o que me traz aflição, agonia, angústia, desgosto, consternação. Faz bem, faz bem, tem utilidade. Mas tudo tem seu custo: dói, faz sofrer. Dói remexer em coisas, reviver acontecimentos e episódios tresloucados da nossa vida. Olhar no fundo da gente mesmo, se despir, vomitar, dar um tapa nas costas e desengasgar, lançar tudo ao ar. Mas é necessário, é essencial, é crescimento, é saudável, é trágico, é maravilhoso, é tudo acoplado, bagunçado e desvairado. A gente precisa desorganizar para poder arrumar. E assim vamos nós, sujos e limpos, feios e belos, em paz e insanos.
Sou honesta e espontânea em minhas emoções. Comunicativa e curiosa. Busco sempre progredir, tomar iniciativas. Ter determinação, atividade e ambição. Mas vivo na dúvida, meio lá quase acolá, sem saber qual é o caminho. Uma dificuldade? Quem sabe. Então, me pergunto: você, capricorniano, libriano, escorpiano, pisciano, taurino, sabe para onde ir? Você, ser humano crente ou descrente, preto ou branco, rico ou pobre, sabe para onde ir? Não, ninguém sabe. A vida é uma corda bamba, dúvida eterna. Temos medo de ir e não ir, ficar e correr, arriscar e não sobreviver. E é isso, é esse o jogo, joga quem tem coragem de pular lá do alto, dar a cara a tapa sem medo de ficar com o rosto marcado para sempre. E isso é uma das coisas mais incríveis que existe: poder escolher. Poder fazer o próprio caminho. Poder errar, acertar, aprender, criar, destruir, renascer. Vocês sabem, quem tem sentimentos maiores sempre sente uma dor maior.
Mas é assim, depois de cada momento de fraqueza, o meu, o seu coração prepara, em silêncio, uma nova fornada de coragem. Às vezes cansa, sim, mas combinamos não desistir da força que verdadeiramente nos move. É preciso jogar a rede no mar da vida, e às vezes quando a recolhemos, descobrimos que ela retorna vazia. Mas amanhã será outro mar. Nós estaremos lá na beira da praia de novo. Assim devemos pensar.
Espero que este ano todo mundo passe a acreditar mais em si mesmo, no seu próprio caminho, vida e escolhas. E que a gente lembre que sempre podemos ir mais em frente ou fazer o retorno. Está tudo aqui, ó, bem em nossas mãos. Basta ter coragem.
Desconhecidos

Eu, que me chamo o nome que minha mãe me deu, conheci um garoto que tinha o mesmo nome que seus pais deram a ele. Sua idade era só dele. A minha, um livro aberto e em branco. Ele tinha tudo, menos eu. Eu, tinha o contrário dele, menos ele. Seus cabelos, cor de alguma coisa parecida com outra. Cintura do jeito que eu gosto, meio sem jeito, que eu não sabia qual era. Braços compridos e curtos, de acordo com a situação. Pernas com joelhos, pés e dedos. Lindo por fora e feio por vice-versa. Tinha futuro, passado, presente. E eu, ausente em tudo. Ele tinha um quê de não sei o que lá. E eu era o reverso. Deve ser por isso, com certeza, que a gente não deu muito certo. Só por isso e por um pouco mais de um monte de outras coisas que a gente nunca soube exatamente de nada. Só amou e desamou.



