Debilitada caminhei até o centro da cidade, o vento beijando minha face, cotidianamente se mostrava imperativo. E eu? Ah, seguia regida pelo momento, sem nada descartar ou camuflar, recitando versos e cantarolando amores.
Chega!
Estranho mistério tem que ser o escritor, não dar a elas, as palavras, tanto poder - ou mais do que já possuem. Parei em uma livraria e por acaso peguei "Eu sei que vou te amar". Eu estava em uma fase preciso-ler-muito-para-esquecer (e aí você pergunta “Esquecer o quê?” e eu digo “Dos amores não resolvidos, ué”).
E aí ele partiu meu coração, porque ao invés de esquecer, eu lembrei. E foi de alguma forma tão marcante, que não só eu lembro até hoje do exato momento em que ele partiu meu coração, como ainda lembro do que senti na hora (e de quantas vezes fiquei relendo trechos do livro para quem quer que eu encontrasse na frente). Mas confesso ter ficado serelepe por relembrar acontecimentos que jamais esquecerei, por ser minha vida.
E sim, a edição é bem caprichada, um mimo. E logo no começo, você lê Jabor dizer que: "Em geral, os filmes saem de livros. Este livro saiu de um filme. Não é o roteiro, mas um breve romance. Com o tempo, vejo que o texto virou uma síntese (oh, doce pretensão!…) de todas as 'discussões de relação' – as chamadas DRs -, que são infinitas, mas, no fundo, são iguais. Nós, óbvios, estamos aí dentro.”
"Você me chamou por telefone. Não te vejo há um ano... seis anos juntos e agora sem te ver... pela tua voz no telefone sei que você está controlando uma emoção, querendo bancar o homem seguro de si... e fico desesperada porque mesmo assim você consegue fingir solidez e eu... e eu... ao ouvir tua voz, o mundo se acalma... tudo estava rodando e se acalma, minha casa estava cheia de perigos, as facas, os garfos me ameaçavam das gavetas, as agulhas, os remédios envenenados, os mosquitos e bichos voando nas janelas querendo me atacar e tua voz vem calma no telefone e eu sei que é mentira que você vive em pânico, mas eu fico toda emocionada, fico toda menina, toda protegida com o falso tom de bondade sórdida que tua pose de homem prático assume...e tua voz vem do mundo dos altos, dos fortes, e eu, mesmo sabendo dos perigos que esta paz me oferece , me arrumei toda para vir aqui ver você (...) "
Tenho que parar de verbalizar.
A escrita nos revela, por demais.
Eu sou anônimo para os outros, mas deves saberás quem sou...
ResponderExcluirVou pegar uma carona na filosofia Yin-yang, na dualidade existente para dizer que não, não deves ficar triste por um coração quebrado. Assim como o fogo forja a melhor ferro, a dor, a decepção forjam o melhor dos corações. A felicidade anda ao lado da dor, delas compartilham o nosso ser, os nossos sentimentos e as nossas ações. Ser feliz é saber ter dito dor, é saber lidar com a dor, com o fato das pessoas nos decepcionarem. Não seremos isentos da decepção, mas devemos saber não ver somente o lado negativo, mas pegar o que de positivo há nisto e usarmos em nosso proveito.
Poderia eu dizer também que não nascemos andando e falando. Para andarmos, caimos muitas vezes e, nestas muitas vezes, choramos por termos caído e, hoje, ao caminharmos não nos lembramos disto. Assim é o coração, muitas vezes magoado para que ele consiga seguir o seu rumo, o rumo certo. Quantas vezes falamos palavras erradas, para hoje falarmos corretamente o português.
O que quero dizer com isto tudo: não deve-se ver somente a dor, o lado negativo. Na realidade, não deve existir um lado negativo das coisas, delas sempre devemos ficar com o positivo, com o aprendizado que os atos nos dão, bem como, com a felicidade que a vida nos traz.
"É, nesse dia Jabor partiu meu coração, mas me deixou ainda mais menina, bobinha!": ele partiu teu coração, mas te deixou com os sentimentos cada mais mais puros, o que te torna uma mulher ainda mais especial.
Post Scriptum: Não sei escrever tão bem quanto tu...
Putz, diversos errados de digitação e de revisão de texto, preciso de uma jornalista para me ajudar... so sorry
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