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domingo, 27 de junho de 2010

Das transitoriedades


Hoje, havia em mim uma necessidade imposta. Decidi que merecia não levantar cedo porque precisava sentir, ou ressentir o que por excelência é meu esconderijo e fortaleza. A maciez dos meus travesseiros e das fronhas brancas de algodão acariciando meu rosto. O quão seria bom receber outros carinhos pela manhã, mas não, deliro. Divago, pois lembrei de você me acordando, tocando de leve minha nuca. E eu? Embebida por seu cheiro, seu gosto, andando errante e abrigando-me em suas instabilidades.

Além dos travesseiros, recebo carinho por cada estação do ano que cessa. No verão, tenho sorrisos, abraços quentes de muita gente, e o modo despreocupado com que encaro a estação. Lembro de viver. No outono, despedida, alma seca e recolhida, fim de abraços, ficam as músicas, que preenchem a saudade e os ouvidos. Ah, mas sou outono disparado, estação transitória. Aí chega o inverno junto com carinho de pai e mãe, além das risadas, chocolate quente e tudo que é de família...E suas visitas inesperadas, acompanhadas de brigadeiro de panela, celulite? O nosso senso de humor compensa! Filmes, edredom e momentos imprescindíveis de encoxamento. Na primavera é tempo de mandar amor de mentira embora. Foi sempre assim. Amor que nascia quem sabe em um outono comum, crescia naquele frio de inverno e ia embora com os perfumes sonolentos das flores. Nem me importava, porque de tudo que absorvo das estações guardo nos meus sorrisos internos e no carinho que trago dentro dos travesseiros juntamente com os sonhos de ser bem maior.

Tenho sede de viver, buscar e aprender, possibilitando aos meus olhos dissimulados ver coisas de novos ângulos. Cada ciclo um novo começo, cada começo mais surpresas e ânsias...

Há uma serenidade secreta. Um dia de cada vez! E você? Vem comigo, comigo, comigo!



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